quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Ancillary Justice, de Ann Leckie

Ancillary Justice (Orbit, 2013) é um livro de ficção científica escrito pela americana Ann Leckie. É a estreia da autora, que ganhou os principais prêmios de ficção científica de 2014, entre eles o Hugo Award, Nebula Award, BSFA Award, Arthur C. Clarke Award e Locus Award, além de ter sido nomeado para diversas outras premiações.

A história se passa milhares de anos no futuro no espaço Radch, um império em permanente estado de guerra se expandindo por vários sistemas estelares da galáxia, anexando planetas e espalhando sua civilização e religião, apesar de assimilar alguns aspectos da cultura dominada – principalmente religiosos. Este império galáctico lembra muito o Império Romano, herdeiro dos gregos e que também assimilou aspectos culturais de outras civilizações em sua expansão. Já a religião lembra o cristianismo, que no início também assimilou várias características e rituais pagãos, o que facilitava a conversão entre os povos conquistados. Os Radchaai se veem como mais avançados e civilizados, e a assimilação de outras civilizações é violenta cruel, incluindo a transformação de milhares de prisioneiros em ancillaries. Neste processo a consciência é apagada, e através de implantes cibernéticos estes indivíduos passam a ser meros receptáculos das inteligências artificiais que comandam as naves de guerra e estações.

Naves do Império Radch
Acompanhamos então a história de Breq, a inteligência artificial de uma imensa nave estelar de guerra que agora habita apenas uma ancillary humana. Ela foi a única sobrevivente da destruição desta nave em uma conspiração, e se encontra sozinha e abandonada em um planeta gelado. Breq busca vingança contra o Lorde de Radch Anaander Mianaai, o imperador que de alguma forma foi o responsável pela destruição de sua nave. Em capítulos alternados, acompanhamos flashbacks que mostram Breq quando era a nave de guerra Justice of Toren e controlava milhares de ancillaries durante a conquista de um planeta oceânico. Durante o desenrolar das duas linhas narrativas alternando passado e presente, Breq descobre as raízes de uma conspiração que pode ameaçar o futuro do próprio Império Radch.

Ann Leckie
Nos capítulos em flashback a autora encontra uma forma inovadora de contar a história, através do ponto de vista em primeira pessoa da nave Justice of Toren, que se confunde com um ponto de vista em terceira pessoa, já que a consciência dela está espalhada por várias ancillaries, e desta forma, acompanhamos simultaneamente vários personagens em locais diferentes. Outro aspecto singular do romance é o fato de não haver definição de gênero – Breq se refere a todos como she (ela) – e temos muita dificuldade em definir o sexo dos personagens, mas que acaba se provando irrelevante para a história.

O livro Ancillary Justice faz parte da trilogia Imperial Radch e é seguido por Ancillary Sword (2014) e Ancillary Mercy (2015). Já há um projeto de transformar a história em uma série de televisão pela produtora Fabrik, que produz a série The Killing, para o canal Fox Television Studios. A editora Aleph prometeu o lançamento da versão em português para o segundo semestre de 2016.

3 comentários:

  1. Quero tomar chá de esquecimento pra ler Guerra do Velho novamente!

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  2. Quero tomar chá de esquecimento pra ler Guerra do Velho novamente!

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  3. Muito bom mesmo o Guerra do Velho, espero que venham as continuações. Enquanto isso, dê uma lida no Tropas Estelares, do Robert Heinlein, publicado pela mesma editora Aleph. Você não vai se arrepender!

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