sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A Filosofia de Tyrion Lannister

A Filosofia de Tyron Lannister (Leya, 2013)
Em A Filosofia de Tyrion Lannister (Leya, 2013), temos uma seleção das melhores frases do personagem mais fascinante da série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, que deu origem a aclamada série de TV Game of Thrones, da HBO. O livro é ilustrado pelo desenhista Jonty Clark e os fãs da série televisiva vão estranhar o Tyrion retratado em suas páginas, muito diferente das feições do ator Peter Dinklage, que o interpreta na TV e é um verdadeiro galã do cinema perto da descrição do personagem nos livros. No primeiro livro da série, A Guerra do Tronos (Leya, 2010), temos a seguinte descrição do personagem:

Tyrion Lannister, o mais novo dos filhos de Lorde Tywin e de longe o mais feio. Tudo o que os deuses tinham dado Cersei e Jaime negaram a Tyrion. Era um anão, com metade da altura do irmão, lutando para acompanhar seu passo sobre pernas atrofiadas. A cabeça era grande demais para o corpo, com uma cara animalesca esborrachada por baixo de uma sobrancelha saliente. Um olho verde e um negro espreitavam sob uma cascata de cabelos corredios e tão louros que pareciam brancos.

Peter Dinklage
O livro lembra aquela série para estressados do Allan Percy e é composto por frases retiradas dos cinco livros publicados até o momento de As Crônicas de Gelo e Fogo, e foram divididas tematicamente em:

Sobre ser um anão
Sobre o poder das palavras
Sobre o romance
Sobre valores familiares
Sobre a condição humana
Sobre a música
Sobre a realeza
Sobre a arte da guerra
Sobre a arte de salvar sua pele
Sobre a arte da mentira
Sobre dragões e outros mitos
Sobre a religião

Para os fãs tanto dos livros quanto da série de TV a diversão é garantida e encontramos pérolas como:

“Nasci. Sobrevivi. Sou culpado de ser um anão, confesso. E independente de quantas vezes o meu bondoso pai tenha me perdoado, persisti na minha infância.”

“O deuses são cegos. E os homens só veem o que desejam.”

“Nunca houve um escravo que não escolheu ser escravo. Sua escolha pode ser entre a escravidão e a morte, mas a escolha sempre está ali.”






quarta-feira, 30 de outubro de 2013

El Científico Curioso

El Científico Curioso (Booket, 2008), do espanhol Francisco Mora, doutor em medicina e neurociências e catedrático em fisiologia humana, é uma coletânea de pequenos artigos sobre o cérebro para o público leigo, apresentando algumas das últimas descobertas, várias curiosidades e algumas possibilidades abertas em outras áreas do conhecimento humano pela neurociência. Quando lemos as boas obras disponíveis para o público leigo de autores como Francisco Mora, Steven Pinker e do brasileiro Miguel Nicolelis, descobrimos que nossa compreensão do cérebro avançou muito (muito mais do que eu imaginava!) e que apesar de ainda restarem perguntas sem resposta, estas não estão no domínio do sobrenatural e são uma questão de tempo e muita pesquisa séria.
Confesso que não tinha muito interesse nos estudos sobre o cérebro humano. Nos noticiários da TV, jornais, internet, livros de autoajuda ou através dos gurus da New Age, somos bombardeados por afirmações absurdas e contraditórias feitas por pseudoespecialistas sobre o poder do cérebro e como ele molda a realidade, como aumentar nossa inteligência, o poder do pensamento positivo, telepatia, etc., que dão uma aura de mistério impenetrável sobre o assunto. Como toda especialidade na vanguarda da ciência, caso da neurociência, as notícias sobre esta área são infestadas de mitos e pseudociência, que se aproveitam de algumas lacunas no conhecimento científico para justificar ideias absurdas, seja por pura ignorância ou má fé de quem quer lucrar enganando as pessoas. Mas o que realmente sabe a ciência sobre o cérebro?
Este é um livro que desmistifica o cérebro e fala da importância crescente da neurociência em ramos aparentemente sem conexão com ela, como economia, publicidade, ética e política. Nestas áreas o autor vislumbra uma união com a neurociência que criará novos ramos como a neuroeconomia, neuropublicidade, neuroética e neuropolítica. O conhecimento do cérebro será fundamental para as ciências humanas do futuro, pois explica nuances do comportamento humano e cada vez mais permite previsões confiáveis sobre o que esperar das pessoas. Ficamos sabendo ainda que muitos fenômenos tidos como experiências místicas, como os relatos de pessoas que afirmam ter levitado fora do corpo, ou passado por experiências pós-morte, abandono do eu, déjà vu, entre outras, longe de serem sobrenaturais, tem explicações sólidas por parte da neurociência e são meramente resultado da atividade cerebral.
Outros assuntos abordados pelo autor são a questão do envelhecimento e suas consequências sobre o cérebro, doenças neurodegenerativas, como manter o cérebro saudável por muito mais anos através do exercício de atividades intelectuais como a leitura e o aprendizado de outras línguas, algumas diferenças fisiológicas entre o corpo do homem e da mulher e suas consequências sobre o comportamento humano, genética e outros. Muito interessantes também são os artigos sobre o fenômenos da consciência e da inteligência e se estas são exclusivas dos seres humanos ou ocorrem também nos cérebros dos animais como cães, golfinhos, chipanzés e bonobos e se eles tem a capacidade de comunicação com os seres humanos através da linguagem.
Este livro é para aqueles que querem entender um pouco sobre o funcionamento deste órgão maravilhoso que é o nosso cérebro, de uma forma leve e afastada dos mitos que gravitam em torno do assunto. Não agradará a todos, pois sempre existirão aqueles que se satisfazem com falsos mistérios e dão de ombros para o conhecimento quando este vai de encontro com suas crenças. Afinal, é como nos diz o autor:

Ninguém, nenhum ser humano, pode aprender nada a menos que aquilo que aprenda tenha um significado emocional para ele. E este pode ser um doce, um sorriso, um gesto bonito ou uma curiosidade iluminadora.





segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Neil Gaiman’s ‘Make good art’ speech

Neil Gaiman's 'Make Good Art' speech,
Este pequeno livro é uma transcrição do inspirador discurso de Neil Gaiman (Sandman, Deuses Americanos, Coraline, The Graveyard Book, O Oceano no Fim do Caminho, e outros) na cerimônia de formatura da Philadelphia’s University of the Arts, em maio de 2012. Neste discurso ele conta seu início como escritor e fala sobre as dificuldades encontradas pelos iniciantes em vender o primeiro trabalho e viver da arte. Mais do que apenas conselhos para escritores, ele convida todos a lutarem por seus sonhos, serem originais em seu próprio estilo e não desanimarem diante das rejeições e críticas, e principalmente, fazer boa arte.
Conta que nunca planejou uma carreira, mas fez uma lista das coisas que um dia queria fazer, como escrever um romance adulto, um livro infantil, uma HQ, um filme, gravar um audiolivro, escrever um episódio da séria  Doctor Who, entre outros que acabou realizando de forma memorável. Para os interessados em ser artistas e, principalmente, viver da arte, dá cinco conselhos:

1) Quando você começa em uma carreira nas artes, você não sabe o que está fazendo. Isto é bom. Pessoas que sabem o que estão fazendo conhecem as regras e sabem o que é possível e impossível. Você não. E não deveria. As regras sobre o que possível e impossível nas artes foram feitas por pessoas que não testaram os limites do possível e não foram além deles. E você pode.

2) Se você tem uma ideia do que fazer, e se dispor a fazer, apenas vá adiante e faça.

3) Quando começar, você terá que aprender a lidar com o fracasso.

4 Se você está cometendo erros, significa que você está lá fora tentando fazer algo. E os erros em si podem ser úteis.

5) Enquanto você estiver nisto, faça sua arte. Faça aquilo que somente você pode fazer.

6) As pessoas continuam trabalhando em um mundo de trabalho independente, e cada vez mais o mundo é mais independente, porque: 1) O trabalho delas é bom; 2) Elas são fáceis de lidar; e, 3) Elas entregam seus trabalhos no prazo.

Neil Gaiman
Ele termina alertando sobre as mudanças que estão ocorrendo hoje no mundo com o advento das novas tecnologias, que estão virando do avesso a forma como se distribui a arte e entretenimento hoje. Em um mundo onde ficou tão fácil divulgar sua obra, a enxurrada de material que inunda o mercado acabou tornando ainda mais difícil a sobrevivência e o sucesso. Ainda que isso possa parecer assustador e desanimador, ele alerta que o futuro está cheio de novas possibilidades para quem souber aproveitá-las de forma inovadora e original.

As velhas regras estão desmoronando e ninguém sabe quais são as novas regras. Então invente suas próprias regras.


Soube deste discurso em um cartoon do sensacional Blog Zen Pencils, que você pode ver aqui, e depois descobri o livro na página da Livraria Cultura, que tem exemplares para pronta entrega. Veja abaixo o discurso na íntegra e com legendas:




sexta-feira, 25 de outubro de 2013

VOA News - Voice of America

Página principal de VOA Learning English

Uma excelente dica para quem quiser aprender inglês é a página da rádio americana Voice of America. A VOA é uma rádio criada pelo governo dos Estados Unidos durante a 2ª Guerra Mundial para transmitir notícias para a população de países devastados pela guerra (e fazer propaganda do American Way of Life também, é claro!), sendo mais ou menos o equivalente a famigerada “Voz do Brasil” aqui por estas bandas, só que com conteúdo mais diversificado. Com o advento da internet se tornou um amplo portal para o público internacional de notícias e artigos sobre o mundo, Estados Unidos, ciência, agricultura, língua inglesa, história dos EUA, entretenimento, política, entre outros, que estão disponíveis em texto, vídeo, áudio e até por e-mail.
Quando clicamos na palavra, uma janela com sua
definição e pronúncia se abre automaticamente.
Na seção VOA Learning English temos acesso a notícias, artigos e várias ferramentas muito úteis para aprender inglês e ainda se manter muito bem informado. As notícias são escritas em inglês simplificado e quando você clica em uma palavra é aberta automaticamente uma janela do Merriam-Webster Dictionary, onde aparece a definição e um botão de áudio com a pronúncia. Você também pode ouvir a notícia em áudio de forma bem pausada, narradas especialmente para iniciantes no inglês e se preferir, ainda pode ver em vídeo legendado ou baixar uma versão em PDF para imprimir. Ao final de cada artigo ou notícia você encontra ainda um vídeo com comentários sobre as principais palavras apresentadas e exercícios para fixação. A página é atualizada diariamente e gastando apenas alguns minutos por dia seu vocabulário aumentará exponencialmente. Para aqueles que possuem Tablet ou Smartphone com o sistema operacional Android, existe um aplicativo gratuito na Play Store. Nos comentários você ainda poderá interagir com estudantes de inglês ao redor do mundo.


No rodapé da página encontramos as notícias e artigos divididos por assunto.




Em "MULTIMEDIA" você pode ouvir de forma pausada o
audio da notícias e em "LINKS", baixar  o texto em PDF.

Ao final do texto você encontra um vídeo com as
principais palavras apresentadas no texto.

De vez em quando ouço pessoas reclamarem sobre como o inglês invade nosso idioma e acho patética a atitude de pessoas como o hoje Ministro dos Esportes Aldo Rabelo, que defendem até a proibição por lei da exposição exagerada de termos estrangeiros. Talvez a melhor defesa de nosso idioma fosse a criação por parte do governo brasileiro ou português de algo parecido com o VOA, que divulgaria nosso idioma para os interessados em outros países que desejassem aprendê-lo, e até mesmo para aqueles aqui no Brasil que quisessem melhorar seu português.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Ciência, esta incompreendida


Vivemos numa época em que a ciência e a tecnologia tornaram o mundo pequeno. Nossa compreensão da natureza e a expectativa de vida atingiram níveis nunca sonhados na história da humanidade. Pessoas de diferentes partes do mundo estão agora conectadas de forma instantânea e as ideias podem ser compartilhadas sem esforço. O homem conquistou cada recanto do planeta, sejam as montanhas mais altas, as grandes florestas tropicais, os desertos, as vastidões geladas dos polos e até as profundezas abissais dos oceanos. Temos um posto avançado com tripulação permanente em órbita da Terra, que é a Estação Espacial Internacional, já fomos à Lua, enviamos sondas robóticas que exploraram cada planeta do Sistema Solar e suas luas. Nas próximas décadas chegaremos à Marte e já vislumbramos formas de alcançar as estrelas inimaginavelmente distantes. Mas apesar de todas estas espetaculares realizações da vontade, da coragem e do intelecto humanos, a ciência, nossa principal ferramenta nestas conquistas, ainda sofre ataques e é vista com desconfiança por boa parte das pessoas.

Mais do que nunca, o fanatismo religioso, as superstições, seitas, crenças fantásticas, curas milagrosas, teorias da conspiração e pseudociências, ganham espaço. Fico abismado com a quantidade de pessoas (muitas delas inteligentes e instruídas) que acreditam em coisas como horóscopo, experiências fora do corpo, alienígenas ajudando civilizações antigas, curas quânticas e outros absurdos sem qualquer base na realidade (quando acreditam que exista uma realidade!). Sou um entusiasta da ciência, ainda que leigo, e muitas vezes, quando converso com amigos e tento contrapor algumas destas crenças com as teorias científicas bem estabelecidas, frequentemente ouço coisas como “mas são só teorias”, “isto é o que diz a ciência tradicional”, “isto é o que diz o pensamento cartesiano” e até mesmo “a ciência nunca conseguirá explicar isto”, finalizando com “você tem que manter a mente aberta”. Cheguei à conclusão que estas afirmações são consequência de um desconhecimento em relação ao uso correto do termo “teoria” e da adesão exagerada à ideia de “manter a mente aberta”.

A palavra teoria costuma ser muito confundida com hipótese, ou pior ainda, com palpite. Mas quando se fala em teoria, cientificamente falando, trata-se de um enunciado ou um conjunto de enunciados que tentam explicar a ocorrência de um fenômeno natural, que foram postos à prova repetidas vezes através de experiências em ambientes controlados realizadas por diferentes pessoas ao redor do mundo e que podem ser reproduzidas por quem quiser e interessar. São hipóteses que foram testadas exaustivamente e são amplamente aceitas pelos especialistas da área e que às vezes recebem até mesmo a denominação de “lei”, como por exemplo a lei da gravidade. Mas mesmo as teorias mais sólidas não são tratadas como verdades absolutas. Apesar das pedras sempre caírem em direção ao solo quando as soltamos, se algum dia alguém soltar uma pedra e ela flutuar, e esta experiência puder ser reproduzida em um ambiente controlado, as teorias que explicam a gravidade terão que ser revistas e uma nova e aperfeiçoada teoria da gravidade será proposta. Abandonar uma teoria equivocada e substituí-la por uma outra mais próxima da realidade do fenômeno que se quer explicar, não pode ser considerada uma fraqueza do método científico, mas sim, sua força, já que desta forma a ciência se aperfeiçoa e suas bases se tornam cada vez mais sólidas.

Método científico: Como nasce uma teoria.

Uma outra forma muito utilizada para se tentar justificar as crenças mais absurdas é a ideia de que devemos manter “a mente aberta para todas as possibilidades”. Vem do fato que na história da ciência, várias hipóteses tidas como absurdas em determinada época se tornaram as ideias mais aceitas no futuro, como aconteceu por exemplo quando a Teoria da Relatividade de Einstein substituiu a Gravitação Universal de Newton como explicação mais precisa para a gravidade, entre diversos outros exemplos. Quem usa este raciocínio deixa de observar duas coisas: 1) Para cada hipótese controversa que posteriormente se tornou aceita e revolucionou nosso conhecimento do universo, existem milhares que se provaram ser realmente falsas; 2) Hipóteses controversas que revolucionaram nosso conhecimento do universo foram postuladas por pessoas que conheciam muito bem as teorias estabelecidas na época e que provaram seus pontos de vista junto a seus pares utilizando-se do método científico.
É claro que devemos manter a mente aberta para novas ideias e conceitos, mas sempre tomando muito cuidado com a origem da informação e a intenção de quem a transmite, para não nos tornarmos vítimas de charlatões que agem de má fé ou passar desinformação adiante por pura ignorância. Para isso, um pouco de ceticismo e a compreensão do que é realmente o método científico são fundamentais. Existe uma frase que é atribuída ao grande astrônomo e divulgador da ciência Carl Sagan: “Devemos manter nossas mentes abertas, mas não a ponto de deixar que o cérebro caia pela abertura.”

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

As palavras mais comuns da língua inglesa

Quem gosta muito de ler já percebeu que os livros em português são uma ínfima parte dos livros publicados mundialmente. Livros que são verdadeiros clássicos não tem tradução para o português ou levam décadas para ganhar uma (quando são traduzidos!). Uma saída é aprender o inglês, e para quem sonha em um dia aprender esta língua, uma boa dica é começar através da lista das 750 palavras mais comuns da língua inglesa, organizada pelo autor Rubens Queiroz de Almeida. A lista foi feita através de estatísticas retiradas do Project Gutemberg, projeto que digitaliza livros cujos direitos caíram em domínio público e que conta com milhões de obras que podem ser baixadas gratuitamente.
Nesta lista somos apresentados às 750 palavras que mais apareceram nestes livros, e que segundo o autor, correspondem a mais de 80% da maioria dos textos em inglês. As palavras são apresentadas com seu significado e frases-exemplo com tradução, que acrescentam ainda mais palavras ao seu vocabulário.
No site mantido pelo autor, o IDHP – Instituto do Desenvolvimento do Potencial Humano, você encontra também um link para se cadastrar no grupo EFR e receber diariamente via e-mail um pequeno texto, frase ou piada em inglês com glossário. Tudo gratuito.

Quem preferir pode adquirir os livros As Palavras Mais Comuns da Língua Inglesa, com as 750 palavras mais comuns do inglês, e Read in English – Uma Maneira Divertida de Aprender Inglês, uma coletânea com os melhores textos do EFR. Ambos os livros são da editora Novatec.


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Não viver mais anos, mas sim, viver melhor

Este é um artigo retirado do livro El Científico Curioso, do neurocientista espanhol Francisco Mora, traduzido por mim do espanhol:

Não há um elixir ou fórmula mágica capaz de modificar, e muito menos prolongar, a vida de uma maneira clara e definitiva. Não há verdadeiramente em nossas mãos nada, seja procedimentos cirúrgicos, vitaminas, hormônios, antioxidantes ou técnica de engenharia genética, capaz, hoje, de mudar de modo significativo a esperança de vida já alcançada no século XXI. É certo, sem dúvida, que existem sim aproximações fisiológicas novas, reveladas pela biologia molecular e pela neurociência, capazes de modificar o processo de envelhecimento no sentido de fazer com que este se desenvolva com mais êxito, ou se preferir, de modo mais saudável. Definitivamente, não viver mais, mas sim, melhor, livres de incapacidades e dependências. Este é um sucesso que foi possível alcançar neste século, mas que durante muito tempo foi só um sonho. A conquista da dignidade da velhice de que falava Cícero quando declarou que “a velhice é honrosa quando não se depende de ninguém”.
Tudo parte da ideia, hoje sólida e extraída de múltiplas observações, de que o cérebro envelhecido segue conservando a plasticidade, ou seja, a capacidade de ser moldado, para o bem ou para o mal, pela interação do indivíduo com o meio físico emocional e social em que vive. O certo é que o homem envelhecido pode, em muito boa medida, conduzir seu próprio envelhecimento através de novos estilos de vida apropriados e em acordo com os nossos, cada vez mais cresce os conhecimentos científicos sobre o cérebro. Se quiser viver com êxito comece por não fumar, comer uma dieta saudável, equilibrada, suficiente mas nunca em excesso, e com ela, vigie seu peso, desafie constantemente seu cérebro aprendendo e memorizando, faça um exercício físico aeróbico todos os dias (correr ou caminhar). E, acima de tudo, não viva solitário. Esteja rodeado de familiares, ou ao menos de amigos que potencializem e deem sentido emocional a sua vida.