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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O questionário de Marcel Proust

Sabe aqueles dias em que a monotonia e a falta de inspiração dominam seu espírito e você não consegue fazer nada? Nada te alegra, nada te anima; você não quer ler um livro, ver um filme, sair, trabalhar, nada, e a vida parece sem sentido?
Para estes dias em que a imaginação nos abandona e a felicidade parece tão distante, o grande escritor francês Marcel Proust tinha um questionário na cabeceira que ele tentava responder para ganhar inspiração para um novo dia. Não se preocupe se as respostas mudarem conforme o tempo, pois assim somos, pessoas diferentes com interesses diferentes em cada fase de nossas vidas. Quando estiver entediado e desanimado com a vida, tente preencher este questionário, que retirei do livro Escribir sobre uno mismo: Todas las claves para dar forma literaria al material biográfico (Alba Editorial, 2002), da escritora espanhola Silvia Adela Kohan:


1) Qual é para você o auge da felicidade?
2) Onde gostaria de viver?
3) Seu ideal de felicidade terrena?
4) Por quais falhas sente mais indulgência?
5) Quais são seus heróis de romances preferidos?
6) Na história, qual é seu personagem favorito?
7) Suas heroínas favoritas da vida real?
8) Suas heroínas da ficção?
9) Seu pintor favorito?
10) Seu músico favorito?
11) Que qualidade prefere em um homem?
12) Que qualidade prefere em uma mulher?
13) Sua virtude preferida nos demais?
14) Sua ocupação favorita?
15) Quem teria gostado de ser?
16) A principal falha de seu caráter?
17) O que mais aprecia em seus amigos?
18) Seu é seu principal defeito?
19) Seu sonho de felicidade?
20) Qual seria a maior infelicidade?
21) Quem gostaria de ser?
22) Sua cor favorita?
23) Sua flor favorita?
24) Seu pássaro favorito?
25) Seus autores favoritos em prosa?
26) Seus poetas favoritos?
27) Seus heróis da vida real?
28) Suas heroínas na história?
29) Seus nomes favoritos?
30) O que mais detesta?
31) Personagem histórico que mais repudia?
32) O feito militar que mais admira?
33) A revolução que mais admira?
34) Que dom da natureza gostaria de ter?
35) Como gostaria de morrer?
36) Estado presente de seu espírito
37) Seu lema?



segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Como Proust pode mudar sua vida

Mais um livro muito interessante do filósofo Alain de Botton, que apesar do nome que soa francês é suíço de nascimento e vive na Inglaterra. Considero-o um dos melhores popularizadores da filosofia na atualidade, junto com André Comte-Sponville, Michel Onfray, Luc Ferry, Julian Baggini, Jeremy Stangroom e Jostein Gaarder. Recentemente ele visitou o Brasil e fundou uma ONG que ensina filosofia nas comunidades que compõem o Morro do Alemão.
Neste livro ele continua seu trabalho de trazer o conhecimento dos filósofos para nos ajudar em nosso cotidiano, mostrando como a filosofia é fascinante e pode nos ajudar trazendo reflexão e conforto. Desta vez ele não utiliza um filósofo, mas o grande escritor francês Marcel Proust, que com os sete volumes que compõe o seu Em Busca do Tempo Perdido se tornou um dos maiores escritores do século XX. Em nove capítulos o autor nos apresenta a inspiradora visão de Proust sobre assuntos diversos como literatura, o sentido da vida, tempo livre, sucesso, expressar emoções, amizade, esclarecimento, amor e o hábito da leitura.
Um trecho do livro que gostei muito foi a resposta de Marcel Proust a uma enquete do jornal parisiense de L’Intransigieant feita à celebridades francesas pedindo a opinião sobre o que as pessoas fariam se soubessem que um cientista americano anunciasse um enorme cataclismo que traria o fim do mundo em breve:

Acredito que a vida nos pareceria subitamente maravilhosa se estivéssemos ameaçados de morrer da forma como você diz. Pense em quantos projetos, viagens, casos amorosos e estudos ela – a nossa vida – afasta de nós, tornando-os invisíveis devido à nossa preguiça, que, certa da existência de um futuro, os adia incessantemente.
Mas deixe todos esses projetos se tornarem impossíveis para sempre: como tudo se tornaria belo de novo! Ah! Se pelo menos o cataclismo não acontecer desta vez, não vamos deixar de visitar as novas galerias do Louvre, nem deixaremos de nos jogar aos pés da srta. X, nem viajar para a Índia.
Entretanto, se o cataclisma não acontece, nós não fazemos nada disso, porque estamos de volta ao coração da vida normal, na qual a negligência supera o desejo. E, no entanto, a verdade é que não precisamos do cataclisma para amar a vida hoje. Deveria ser suficiente pensarmos que somos humanos, e que a morte pode chegar nesta tarde.

Me recorda um pensamento de Mario Quintana:

No dia em que estiveres muito cheio de incomodações, imagina que morreste anteontem... Confessa: tudo aquilo teria mesmo tanta importância?

Como Proust pode mudar sua vida foi relançado pela Editora Intrínseca, que vem relançando vários títulos de Alain de Botton no Brasil e começou a lançar títulos inéditos também. Para conhecer um pouco as ideias do autor, veja uma palestra que ele deu para o TED: